Águas.
Olhei o meu pé, molhado e sujo. Meus cabelos desgrenhados com o vento. Meus olhos seguindo a água que segue a correnteza.
Não há a sensação de sujo, estava limpa.
Hoje olho o meu pé limpo, cabelos penteados e pensamentos excessivamente sujos que não me deixam dormir.
Parece que o fluxo da correnteza se desvirtuou pra mim. A única água que segue o rumo agora está dentro da minha privada, que ela é obrigada a fazer o percurso quando aperto a descarga.
Eu que aperto a minha descarga, por isso que só vem água suja, mesmo que pareça limpa. Se eu continuasse com a correnteza, talvez, a água pudesse parecer suja, mas minha alma estaria lavada.

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